Busca

Book Page Editorial

Ponto de Vista

Pesquisas científicas já comprovaram que o ser humano não tem condições de absorver a totalidade do que se conhece como realidade. O mundo seria como uma torta gigantesca, constituída por fatias de sabor diferente, singular. Essa porção do real que cabe a cada um, conforme seus interesses, afinidades e propósitos, é a sua visão de mundo. Assim, pode-se dizer que, na trama da vida, há inúmeros Pontos de Vista (PDV).

pontodevista

Em uma ficção, não é diferente. Afinal, realidade e fantasia se confundem; na Matrix, quem sabe distinguir o que é real ou ilusão? Assim, ao se criar uma história, é essencial estabelecer sob que ângulo o autor a narrará. Portanto, um dos primeiros passos, na elaboração da premissa, é decidir quem será ou quem serão os PDVs. E, principalmente, que personagem deterá o Ponto de Vista principal, aquele que revelará ao leitor sua versão da história, ou seja, o protagonista.

Renato Russo já dizia em sua canção Quase Sem Querer, “Às vezes o que eu vejo quase ninguém vê.”

Assim, pode-se dizer que o PDV tem uma visão de ‘realidade’ não compartilhada pelos outros personagens. É só imaginar, por exemplo, a versão de Bella Swan da saga Crepúsculo, de Stephenie Meyer. Essa trama seria a mesma se fosse contada por Edward? Ou pelo Jacob? E se o leitor conhecesse outra visão de Harry Potter, de J. K. Rowling, o Ponto de Vista de Voldemort?

Uma história não precisa ter um único PDV. Através de outros personagens, o autor pode mostrar várias faces da mesma história. Mesmo assim, há um único protagonista. Como saber, porém, quem detém o Ponto de Vista principal? Às vezes é simples, como na série Crepúsculo. No último livro, Amanhecer, a autora opta por dividir a trama em três partes. A primeira é narrada pela Bella, a segunda pelo Jacob e a terceira, mais uma vez pela Bella. Então, com certeza, a protagonista é a jovem vampira.

Outras vezes a divisão entre os Pontos de Vista é mais sutil. Em Bruxos e Bruxas, do James Patterson, dois irmãos alternam os PDVs, Whit e Wisty Algood. Nessa série, os pontos de vista se alternam a cada capítulo. Qual deles, afinal, é o protagonista? Será sempre quem detiver o maior número de Pontos de Vista, nesse caso, Wisty, que transcende o garoto por uma margem estreita.

O autor é livre para escolher sob quantos pontos de vista irá narrar sua história. Porém, quanto mais PDVs em uma ficção, maior a possibilidade do escritor se perder e da trama se tornar confusa. Pode-se mudar o Ponto de Vista de um capítulo para o outro, ou de uma cena para outra. É preciso apenas deixar bem clara, para o leitor, essa transição de PDVs.

O olhar é um instrumento tão poderoso que pode retratar a visão do real de cada ser, do que se passa a sua volta. Por essa câmara potente o personagem PDV pode transmitir sua visão da realidade e o que se passa na sua mente. Ele não pode traduzir as emoções do outro, apenas as que se passam no seu íntimo. E é a essa porção do real, vivenciada pelo PDV, que o leitor terá acesso.

Por isso mesmo alguns cuidados são indispensáveis para que fique claro quem detém o Ponto de Vista. Há erros muito comuns nesse campo. É fundamental lembrar que o personagem não é adivinho, a não ser que tenha poderes extraordinários, como, por exemplo, ler pensamentos ou emoções alheias. E ele não tem como ver o que se passa na sua própria expressão facial, a não ser que esteja diante de uma superfície espelhada.

Por exemplo, um zumbi não pode afirmar que estampa no seu rosto uma careta assustadora. A menos que ele veja sua imagem refletida em um lago, e nela flagre essa expressão em seu semblante. Da mesma forma, fica difícil acreditar quando uma jovem diz que seu rosto perdeu a cor. Como ela sabe? Agora, o autor pode se expressar dessa maneira: “Penélope teve a impressão de que a cor fugia de suas faces” ou “Penélope se aproximou do espelho e confirmou suas suspeitas. Seu rosto perdera a cor.”

Seguindo esse mesmo parâmetro, é essencial que o autor deixe claro que o PDV não tem acesso ao interior dos outros personagens. Um exemplo deixa essa questão mais clara. Um jovem apaixonado decide, enfim, se declarar à fada que o conquistou. Ele é o PDV da história, portanto, o autor jamais poderia narrar dessa maneira:

“Assim que Caio revelou seus sentimentos, sentiu o coração de Kate bater mais forte.”

O correto seria:

“Assim que Caio revelou seus sentimentos, Kate se aproximou e, de repente, se jogou nos braços dele. Nesse instante, ele sentiu que o coração dela batia desenfreado de encontro ao seu.”

Caio não tinha como adivinhar que o coração da fada batia mais forte; ele não tinha poderes extraordinários. Portanto, só no momento do abraço o jovem pode sentir o pulsar do coração dela. O autor poderia também utilizar outro recurso.

“Assim que Caio revelou seus sentimentos, acreditou, pelo olhar enlevado de sua amada, que o coração dela estaria batendo mais forte.”

Há várias expressões às quais o PDV pode recorrer quando se refere a outros personagens ou, em alguns momentos, até a si mesmo: teve a impressão de que; parecia que; foi como se; bem poderia ser; achou que; acreditou que; teve a sensação de; sentiu que, entre outras, que se pode garimpar em bons autores. Seguem mais dois exemplos:

“Rose teve a sensação de que Mayara mentia. Sua amiga desviava o olhar, talvez evitando encontrar seus olhos.”

“Naquele momento, Holly achou que ia perder os sentidos.”

O PDV também não pode se referir a si mesmo como “o garoto”, “o rapaz”, “a fada”, “o elfo”. Afinal, ninguém relata algo que lhe aconteceu e, no calor da exposição, alude a si próprio de forma impessoal. Supondo que o homem-borracha é o PDV da história:

“O homem-borracha invadiu o covil e resgatou a princesa.” Errado. (Ele não pode se referir a si mesmo como o homem-borracha).

“Ele invadiu o covil e resgatou a princesa.” Certo.

narrador

É o PDV quem reina soberano nas cenas que protagoniza. Ele domina os elementos de cena: objetivo, obstáculos, reflexão, dilema, decisão, desastre. A história é contada sob o Ponto de Vista dele, seja na primeira pessoa, quando o personagem sobe ao palco e narra de forma direta ao leitor; na terceira pessoa, sob o prisma de um narrador que está fora da história e conta o que se passa com o personagem, deixando que seu olhar acompanhe exatamente o que acontece com ele, que aqui fica bem no fundo do palco; ou na terceira pessoa, quando o PDV ainda é o do “eu”, mas o autor opta por considerá-lo como “ele” e elimina o narrador, permitindo que a interação ocorra diretamente entre o personagem e o público.

No primeiro caso, o personagem se aproxima o máximo possível do leitor; no segundo, ele se distancia da plateia no seu mais alto grau; no terceiro, ele se mantém bem próximo, embora um pouco distante em relação ao PDV que narra na primeira pessoa.

O importante é levar em conta que o personagem PDV é aquele pelo qual todas as percepções passam por um filtro, o olhar dele, que atua como uma câmera a filmar os acontecimentos que ele transmitirá ao leitor, nas cenas de ação. E, claro, essa filmadora é muito privilegiada, pois pode captar também seus pensamentos, suas emoções, se ele é o narrador da história, as quais ele retratará nas cenas de sequela, ou seja, de reflexão.

De qualquer maneira, o leitor só terá acesso à porção do real que cabe ao PDV. Enquanto ele detém o Ponto de Vista, é impossível para o leitor saber o que se passa com os outros personagens, pois ele não pode, ao mesmo tempo, ter olhos para ver o que se passa na Matrix do PDV e na Matrix dos outros seres fictícios. Aqui pincelei apenas alguns conceitos básicos. No próximo texto, aprofundarei essas ideias.

Se deseja ver essas técnicas na prática, leia meu ebook Terras dos Encantados – A Jornada do Círculo

 

 

 

Anúncios

Criação de Premissa na Literatura Fantástica

Quando escrevi meu primeiro livro de ficção, fiquei meio perdida na hora de criar uma premissa e, na época, não encontrei um artigo ou um site que me guiasse nesse labirinto. Então, agora que trilhei o caminho das pedras, quero compartilhar com outros autores um pouco da minha experiência. 

premissa

Minha intenção aqui não é ditar fórmulas perfeitas. Sei que muitos autores devem ter suas próprias receitas e métodos pessoais. O que desejo, na verdade, é apenas oferecer algumas dicas para autores de literatura fantástica. Principalmente para os iniciantes.

Bem, o primeiro passo é saber sobre o que o autor deseja escrever. Neste gênero amplo, vai escolher uma fantasia, uma história de terror, uma distopia, um romance sobrenatural, uma ficção científica? Ok. Já fez sua escolha. Então, resta saber em que universo pretende mergulhar. Algo no estilo O Senhor dos Anéis ou vai navegar pela dimensão das fadas? Quer algo mais Guerra nas Estrelas ou focar no mundo de vampiros e lobisomens? E qual o tema do livro dentro da esfera escolhida?

Agora que o autor já sabe em que universo vai navegar, ele precisa justificar a sua trama principal. Ou seja, o leitor precisa conhecer o ‘background’ da história, o seu contexto. Então, se a narrativa já começa com um mundo dominado por zumbis, é obrigação do escritor mostrar ao leitor como o Planeta chegou a esse ponto, o que provocou essa invasão de mortos-vivos.
Para isso, essas circunstâncias devem estar muito claras para o autor. Afinal, se nem ele souber direito o que causou essa epidemia na Terra, como vai passar essa informação ao leitor? Daí a importância da premissa. Nela o escritor deve desenvolver em detalhes esses antecedentes, mesmo que nem todos esses pormenores apareçam, posteriormente, no enredo.
O próximo passo é saber como inserir esses elementos na história. Há vários caminhos para se contar ao leitor o que houve antes do início da história. O autor pode se valer de um flashback no início do livro, algo como “dez anos antes”. Ou, em algum momento da trama, um dos personagens pode revelar esse passado ao protagonista; também é possível ir contando gradualmente, ao longo da narrativa.
De qualquer forma, seja qual for a escolha do autor, ele não pode fugir de seu principal objetivo, engajar o leitor, cativá-lo desde a primeira linha. Por essa razão esses esclarecimentos devem sempre primar pela coerência, coesão e concisão, os três pilares que sustentam uma boa história. Assim, todos os elementos do enredo se encaixarão perfeitamente e ele ficará claro, sem furos, contradições ou incoerências. Não há necessidade de criar um mundo muito intrincado, pois depois o próprio autor se perderá na hora de costurar a trama e, ao invés de ação, suspense e mistério, o leitor irá se deparar com uma série de explicações sobre o ‘background’.
As descrições do cenário devem se resumir ao que for essencial para a história. Se uma determinada paisagem ou artefato tiver um papel importante na narrativa, então vale a pena caprichar nos detalhes descritivos. Por exemplo, se houver uma cidade que abriga os humanos não contaminados pelos zumbis e ela corre o risco de ser invadida pelos mortos vivos, será fundamental descrevê-la minuciosamente, principalmente seus mecanismos de defesa e os pontos frágeis, por onde os inimigos podem avançar.

zumbis

Após definir esses pontos estratégicos, é essencial focar na trama em si. Quem serão os personagens? Entre eles, quantos deterão o ponto de vista (PDV)? Deles, quem atuará como o protagonista? Pretendo, em um próximo texto, esclarecer melhor o que é o ponto de vista e os cuidados que se deve ter para preservá-lo, de forma que o leitor saiba sempre quem está contando a história.
Por enquanto, basta um exemplo simples. Nessa narrativa dos mortos vivos, o autor escolhe focar em dois pontos de vista: o de um zumbi e o de um humano. Cada um deles vai ter o seu ponto de vista pessoal sobre o mesmo evento apocalíptico. Quando, em um determinado capítulo, o morto vivo detiver o PDV, cada fato deverá ser filtrado pelo olhar dele. O mesmo vale para quando o humano tiver a oportunidade de revelar o mundo através de sua própria visão. Mas, então, quem será o protagonista? Simples. Aquele que tiver mais vezes a posse do PDV.
Na premissa, o autor deve delinear o perfil de cada personagem, estabelecendo também quem serão os antagonistas e se haverá um vilão principal. Claro que, ao longo da trama, ele poderá desenvolver melhor as características físicas e psicológicas deles, e até modificar alguns elementos, mas pelo menos o básico deve ser preestabelecido, principalmente seus nomes.
Aqui cabe um parêntese.  Quanto mais complexos forem os nomes e quanto mais personagens compuserem a galeria da história, maior dificuldade terá o leitor de memorizá-los e mais perdido ficará.
Outro ingrediente essencial na premissa é o tempo/espaço. Se o autor já definiu em que espaço se passa a trama, chegou a hora de escolher a temporalidade. Em que época se passará a história? E em que tempo verbal ele a contará ao leitor? Seja qual for a opção, não pode haver deslizes. Ou seja, é determinante não misturar presente e passado, nem os tempos verbais; é muito comum encontrar ‘tu’ e ‘você’ em estranha convivência na mesma narrativa.
Agora, executadas essas etapas, eis que chega o momento de se preocupar com o cerne da história. Qual o objetivo do protagonista? O que ele pretende realizar? Que dilema central o perturba? Que jornada lhe caberá percorrer? Que obstáculos enfrentará até cumprir sua missão? Ele chegará vitorioso ao final desse trajeto?
Esses e outros elementos das famosas cenas, sem as quais uma história não existe, serão esclarecidos no próximo artigo. Mas, mesmo sem conhecer bem esses ingredientes, já é possível responder essas questões primordiais. O autor deve ter em mente o ponto de partida da trama e sua conclusão, ainda que seja uma obra aberta. Assim, ao longo do enredo, bastará criar uma ponte entre o início e o fim da história.

fantasia

Resumindo, não basta ter uma ideia e sair escrevendo. É necessário primeiro criar o universo que se pretende retratar – seu passado, presente e futuro. E, aqui, uma dica final e essencial. Seja qual for o universo que o autor deseje criar, esse mundo deve funcionar bem no seu livro, para que ele engaje o leitor do começo ao fim.
Espero ter contribuído para clarear um pouco a mente do autor. Nos próximos textos, vou trabalhar um pouco melhor cada um desses elementos. Portanto, se tiverem dúvidas, não deixem de compartilhá-las.
 

 

 

 

Produção de Ebook

O livro digital, conhecido também como ebook, surgiu para ficar e já é realidade no mundo todo. Cada vez mais autores estão publicando suas obras em formato digital. Mas para produzir um ebook de qualidade, que se destaque no mercado editorial, não basta converter seu texto no formato ePub. Continuar lendo “Produção de Ebook”

Capa de Ebook

A capa é o primeiro contato que o leitor terá com o seu ebook. A imagem transmite uma mensagem e esse é o principal objetivo na criação da capa: transmitir por meio de imagens a obra do autor. Para isso, é  preciso levar em consideração os principais aspectos da obra e como o autor a imagina. Além de uma escrita que prenda a atenção do leitor, uma capa atraente irá destacar seu ebook entre tantos outros e, assim, certamente você terá mais leitores interessados em conhecer a sua obra.

Leitura Crítica

A Leitura Crítica visa identificar os pontos da trama que necessitam de uma maior lapidação. Nós não modificamos a história concebida pelo escritor, apenas sugerimos mudanças estruturais que podem enriquecer a narrativa. Nossa função é analisar elementos como coerência, coesão, lógica, entre outros. O resultado é a produção de uma obra com potencial para agradar um maior número de editores e leitores.

Revisão de Texto

Após a preparação dos originais, atuamos na correção de eventuais erros gramaticais e ortográficos ainda presentes na obra. O objetivo é eliminar qualquer incorreção, oferecendo ao leitor uma narrativa clara e correta.

Tradução

Em breve!

Preparação de Texto

A finalidade da Preparação de Texto é estruturar a obra, organizando ideias e capítulos e empregando recursos textuais, gramaticais e ortográficos.  Nossa meta é conferir à narrativa maior clareza, coerência, concisão, entre outros recursos técnicos.

Resenha

A elaboração destes textos informativos visa oferecer recursos ao autor para divulgar seu livro de forma independente na mídia e em blogs literários. Nossa resenha envolve resumo e julgamento crítico da narrativa, apontando elementos positivos e negativos, assim como a opinião do resenhista.

Blog no WordPress.com.

Acima ↑